sexta-feira, 3 de novembro de 2023

 Também já fui medo e caí em meus próprios abismos interiores ou pisei em armadilhas que eu mesma me fiz... Sei, oh, como sei, que minhas xícaras são sempre canyons profundos e que aparo os dormentes das linhas do meu trem com lixas de unha... Por isso, as cicatrizes são tatuagens para não esquecer que um dia fui medo, hoje sou coragem... 

 Não se apresse alma minha... Quero olhar as aves do céu e os lírios do campo com olhos sem pressa... com olhos de pausa... para que cada dia vivido tenha sentido... para que meus olhos possam falar do que viram, do que tenham vivido... 

 Sim... sim... algumas coisas foram feitas para ensinar, não para ficar... 

 Eu me recordo: sou livre agora, porque, apesar do caos, da tempestade, não perdi o contato com o meu interior, comigo mesma, com minha essência. Posso ter me desconectado do mundo, me alienado das dores causadas, mas continuo em mim, em meu coração, em meu interior quente e acolhedor, me amando... e... à minha própria alma...

 Amo o som dos meus passos quando caminho dentro de mim... Conheço minhas estradas... meus pra dentro... e sei que, ainda, existem vielas à descobrir... 

 Não é o silêncio um calar de palavras... o calar pode significar que, apesar do caos exterior, dentro reside a paz... o espírito não se deixou conturbar... 

 Alma canora - canta em silêncio em busca de um novo momento. Precisa submergir da escuridão.  Retornar ao fôlego, ao respirar... Tatear a alma, contagiar a  vida. Não é imune à dor, mas segue em frente, apesar de senti-la, do impacto do caos causado... ... estar em paz consigo mesma não tem preço. Só quem pode ter essa paz sabe como é...